Estefanía Banini refletiu sobre o futebol feminino hoje e seu período significativo na Albiceleste. “Quando falei, deixaram-me de fora da Seleção Nacional, que era o meu sonho”, disse.
Estefanía Banini voltou a falar sobre sua saída da Seleção Argentina e, sem hesitar, garantiu que sua saída da Albiceleste se deu porque foi uma das que levantou a voz por melhores condições.
"Quando falei, me deixaram de fora da Seleção, que era o meu sonho. Tive uma grande depressão, me tiraram de lá por falar e por querer melhorar em vez de aproveitar isso como uma oportunidade de crescer", disse ela em palestra na série de entrevistasFalando de Futebol, do jornalista Julián Aguilera, e refletiu sobre a situação atual do futebol feminino na Argentina.

Estefi começou falando sobre sua emigração para o Levante Badalona da Liga Espanhola antes de se aprofundar no tema da Seleção Argentina. "Vim para esse time porque chegaram investidores que têm grandes perspectivas de futuro. Comecei a jogar muito pequena, fui a primeira do meu grupo de amigos a vir para o clube. Era atípico, não era costume ver uma menina jogando futebol. Foi muito difícil para minha família, uma coisa é ver, outra é tomar a decisão, e eu, sendo menina, disse 'por que não me deixam jogar?'", explicou Banini, que é a maior referência argentina. futebol feminino em todo o mundo.
Vencedor de torneios, taças e premiações individuais, o jogador foi um dos pioneiros na luta por melhores condições na Seleção Argentina. "Quando eu era muito jovem via que as meninas da Seleção não tinham descanso nem alimentação adequada, tinham outros empregos e você via que as melhores jogavam nessas condições. Em Buenos Aires faltava dedicação ao futebol. Usávamos roupas masculinas de qualquer tamanho, colocamos na moda o 'oversize'", brincou o jogador.
Banini em sua saída da Seleção Argentina
Depois, ela mergulhou no conflito que a distanciou da Albiceleste após reivindicações por melhores condições. "Quando há uma luta, tudo depende de como você encara. Você pode ficar calado ou pode ouvir e ser flexível. Hoje estamos melhorando socialmente, mas no futebol vimos isso muitos anos depois. Não podemos ter menos ou piores condições para jogar", começou por dizer e acrescentou: "A diferença, por exemplo, aqui em Espanha houve uma luta e eles foram ouvidos. Aqui é como se encobrissemos o problema. Queremos dar o que este trabalho exige: alimentar-se bem, descansar bem, se ainda por cima tiver que trabalhar noutra coisa". ter um salário que permita comer bem é um problema e isso depende muito dos clubes.”
Mais tarde, ele atacou tudo sobre sua saída da equipe comandada por Germán Portanova. “Eu era capitã, jogava, vivia do futebol no exterior e não precisava da Argentina. O fato de falar não era para mim, não tinha necessidade, só queria que a Seleção crescesse e que as meninas que chegassem não encontrassem as mesmas coisas que a gente encontrou. em vez de aproveitar isso como uma oportunidade de crescer. Mas se hoje eu tiver que refletir, hoje que tudo aconteceu, tenho orgulho do que fiz e faria de novo mesmo que me tirassem o mais importante, o meu sonho, o que me moveu, voltaria a lutar por melhores condições porque tenho certeza que, com um bom trabalho, a Seleção Argentina pode se tornar uma potência", explicou.
“Eles estão deixando de fora os jogadores que falaram”
Além disso, referiu-se a outros colegas que também reclamaram das condições e não foram convocados novamente. "Estão convocando os melhores? Estão deixando de fora os jogadores que falaram, por desentendimento, por falta de condições. Na Argentina não os convocam", afirmou.
Nesse sentido, destacou: “Estão ligando para quem não fala nada ou para a geração que queríamos não ter que brigar quando tiver que continuar treinando.
Sobre a forma como o público interpreta o desempenho do futebol feminino, Banini analisou que "a Argentina tem uma grande exposição. Socialmente te leva a dizer 'as mulheres nem estão aí', mas é por toda a falta de cuidado, a falta de formação dos profissionais e a falta de melhorias" e que ""falta a intenção política de investir no desenvolvimento do futebol feminino."

